segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Carro roubado e perucas



Resultado da experiência: Cultura, diversão, tremedeira, adrenalina, risadas, exercícios físicos e quase de graça!


Carro roubado e perucas.

Sábado ensolarado, curtindo uma piscina na casa das primas e nenhuma programação para a noite.  Ouvimos a notícia que o Primeiro Festival de Teatro de Curitiba começaria naquele dia. Ótimo, já tínhamos programação noturna, cultural e possivelmente divertida.

Arrumamo-nos com as melhores roupas, os melhores perfumes, maquiagens e pegamos o carro. Ops, ele não funcionou. Descemos uma enorme rampa da casa para pegar no tranco, sem saber que aquele carro, automático na época, não poderia ser empurrado daquela maneira, o que só fez piorar a situação do coitadinho.

Pronto, as duas primas, lindas, e quase arrumadas, a não ser pela mão suja de graxa e o suor que escorria pelo rosto. E agora? Dinheiro para o táxi, não era o suficiente. Tínhamos muito pouco em mãos. Como saída de uma lâmpada genial, a ideia apareceu. Pegaremos  o carro do porteiro emprestado.

Seu carro era um Chevette, absurdamente medonho. Tinha massa (acho que de modelar) distribuído na traseira do carro quase em sua totalidade. Os vidros  só abriam  um pouquinho, não tinha som, buzina e nem trinco para travar a porta. Fazer o que, era a opção, aliás a melhor no momento. Perder o teatro, Nelson Rodrigues, nunca!

Certo, duas meninas, re-perfumadas, penteadas e de salto alto, fazendo o carro pegar no tranco, funcionou. Teatro lá vamos nós! Mas espere, e se nos virem assim? Hummm, perucas da vovó. A vovó teve câncer por muitos anos e a sua coleção de perucas era vastíssima. Pronto: Lindas, perfumadas, de salto alto, de Chevette e de perucas. Agora sim, teatro, lá vamos nós!
Chegando na Praça Ozório, colocamos o carro no estacionamento mais próximo ao teatro do Palácio Avenida. O carro não poderia ficar na rua, não tinha tranca e nem subiam as janelas. Juntamos os trocados para o estacionamento com a ajuda do dinheiro do porteiro. Guardamos as perucas no banco de trás do carro e partimos para o teatro.

O teatro estava lotado, a peça um pouco lenta para meu gosto, ou pelo menos para meu espírito naquele dia. Assistimos até o final, mesmo que muitas vezes eu  tenha tido vontade de dormir. Acabou a peça e decidimos passar no Graciosa para dar um beijo em uma amiga que estava fazendo aniversário.

Chegando ao estacionamento, percebemos que tínhamos perdido o comprovante. O funcionário perguntou qual seria o carro. Vimos um Chevette com a janela meio aberta, uma cor pálida perecido com o nosso e apontamos em sua direção. Ele nos trouxe o carro e partimos.
Umas 15 quadras depois, resolvemos colocar as perucas. Meu Deus, roubaram as perucas!!!! Não, deve estar no porta-luvas? O que é isso no porta-luvas? Moldes de roupas com pequenos pedaços de tecido, algo meio suspeito para um porteiro, mas, o importante era saber onde colocaram a peruca de nossa avó. A essas alturas ela devia estavar se remoendo.

Certo, começamos a suar, eu abri a janela e liguei o rádio. Nesse momento um ar quente e gelado indescritível, correu meu corpo da cabeça aos pés, ou ao contrário? Não sei ao certo, penso que aquela altura  já nem sentia mais meus pés. Pri- pri-prima, eles não roubaram a peruca, nós roubamos o carro!

Estávamos ainda perto do estacionamento, mas a adrenalina não nos permitiu voltar diretamente ao estacionamento, entrávamos em ruas na contramão, íamos para o lado errado, como se nunca tivéssemos conhecimento de que algum dia a Praça Ozorio existiu. Respiramos fundo, pensamos no roteiro e enfim, chegamos ao estacionamento.

Na porta havia um homem com duas mulheres, o funcionário e o gerente do posto. Fomos  simpáticas acenando de longe para mostrar que não tínhamos  culpa no cartório. As pessoas olharam atentamente e conseguimos perceber o suspiro de alívio daqueles seres.

Descemos do carro, explicamos o ocorrido e quando parecia tudo explicado e perfeito, o funcionário surge do fundo do estacionamento, empurrando um carro , ( não queria pegar nem no tranco), e para ajudar,  caindo aos pedaços! Nessa hora, consegui perceber  que a diferença entre os dois carros era gritante. Alhos e bugalhos! O dono “roubado” quis nos bater, e com razão. Não teve êxito, pois o coração do proprietário do estacionamento, não era “peludo”. Irritadíssimos, todos foram embora e nós partimos de perucas e empurrando o carro rumo a festa no Graciosa.
Algumas quadras dali o carro pegou. Chegamos ao Graciosa, o clube estava todo iluminado, vários conhecidos chegando e nós paramos o carro em uma pequena rampa, além de ser a única vaga, seria fácil dar o tranco se o carro resolvesse não reagir.




Assim que descemos do carro, ele desceu também. Deu tempo de freá-lo. Descobri que o freio de mão era mais uma coisa que faltava naquele veículo. Para não perdermos a festa, combinamos que, cada uma ficaria meia hora na festa e retornaria para ficar de “freio humano” por mais meia hora.
Acabou sendo divertido, entre uma troca de freio, uma peruca diferente a madrugada avançou. Hora de ir embora, pernas doendo e perucas suadas, partimos para casa.

Cabral – Barigui, simples, já tínhamos passado por tudo mesmo! Ledo engano!!! Algumas quadras depois, o carro parou. Tranco daqui, empurra dali, nada do carro pegar! - Pri-pri-prima, acabou a gasolina. - Como você sabe? O marcador não está funcionando! Vamos empurrar até um posto e vemos.

Duas primas, suadas,  não tão perfumadas, unhas com graxa, sem saltos, sem sapatos, perucas descabeladas, com dor nas pernas, sem dinheiro e com o carro pifado! Nada podia ser pior naquele momento. Podia sim!, além de tudo isso estávamos sem dinheiro, pois pagamos o estacionamento do teatro com a “vaquinha” que fizemos.

Família viajando, amigos em casa (não podíamos ligar para alguém devido ao horário), não usávamos celulares ainda. O que fazer? Lembra aquela notinha de dólar que guardamos na carteira aparecendo a pirâmide, benzida por um monte de gente e que era pra dar sorte? Ela mesma. Deu sorte! Pedimos para o frentista abastecer um dólar e ele riu, aliás gargalhou, dizendo que o posto não aceitava dólar. Minutos depois, acabou aceitando. Acho que teve pena da situação das duas. Fomos direto para para casa devolver o carro ao porteiro.




O sol raiava e aos poucos era possível perceber que o carro era multicolorido. Ele era muito pior do que podíamos imaginar. A noite todos os gatos são pardos, não é?

Domingo ensolarado, final da tarde, Avenida Batel bombando e partimos para tomar um sorvete na avenida.  Dessa vez minha tia estava em casa e emprestou o carro. Um Monza MPFI sem placas ainda, lindo, recém saído da loja. Estacionamos na avenida, tomamos sorvete, batemos papo, entramos no carro e fomos embora. Tranquilas de que tudo acabara bem.

Acabaria bem se não fosse um  telefonema. Uma voz estridente berrava aos quatro ventos. -Será que sua filha e sua sobrinha poderiam devolver o carro que roubaram na Avenida Batel hoje???????????????????????????

Como pode uma única chave conseguir abrir portas de carros diferentes?

Para não ter que deixar de sair com minha prima, comprei o MEU carro!!! Simples assim!

Resultado da experiência: Cultura, diversão, tremedeira, adrenalina, risadas, exercícios físicos e quase de graça!

2 comentários:

  1. O mais engraçado é que, ontem (29/01/2013), cada filha ganhou de meu pai, um dólar dobrado. Detalhe, ele nem tinha lido o texto ainda....rs

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